Marcele fez o convite para irmos a uma apresentação musical de uns amigos. Antes que todas nós só tivéssemos olhos e ouvidos para a banda, Aninha rogou a si o direito de falar. Seu entusiamo era tamanho que nem se deu conta de que Suzana estava na pior, intimidada que se encontrava pelo marido que, irado, se despediu dela com a condição de optar entre ele e o show. Aninha continuava a falar, sem interrupções, vangloriando-se de sua dedicação e confiança, gabando-se de que tinha a certeza de uma recompensa após anos de cuidados diários, às vezes até mais de uma vez ao dia. Entreolhamo-nos assustadas, teria ela enlouquecido? Ninguém foi capaz de adivinhar, mas imaginem que tudo isso se devia a uma flor, uma unicazinha...
Antes que Amanda concluísse sua observação sobre a incoerência entre o tamanho do entusiasmo e o fato a ele associado, Aninha, ainda com muito fôlego, pos-se a justificar dizendo se tratar da família Orchidaceae, de espécie rara.
Todas tentamos introduzir novos assuntos, Izabela perguntou se havíamos decidido sobre os candidatos para a próxima eleição, Gabriela tentou puxar o assunto para um filme que acabara de assistir, Amanda quis falar de sua viagem ao interior de Minas, mas nenhum assunto emplacava e víamo-nos novamente indefesas sob a mira das informações orquidófilas de Aninha. Ela tecia comentários sobre a durabilidade, sobre as cores e os tamanhos das flores, complementava as informações orgulhando-se do capricho de suas plantas: “gostam de vento, adoram adubos, sol só pela manhã, pouca água”, etc...
Suzana interveio dizendo que se tivesse tempo dedicaria a si, “flor que merece esse cuidado e, no entanto, nunca encontrou um jardineiro fiel”. Aninha, ofendida, acusa-a de falta de sensibilidade. Quando a discussão parecia se desviar por terrenos mais acidentados, fomos interrompidas pelo som do seu celular. Do outro lado, uma vozinha doce, manhosa e obediente, ansiosa por falar, contava entusiasmada tudo o que tinha feito, como quem supera as espectativas, acrescenta que preparara para a tia uma surpresa : sabe aquela flor mamãe, arranquei para a tia...
Nesse instante, nada mais se escutava, ao não ser os acordes de “Para não dizer que não falei das flores...”, musica com que a banda deu início ao show.
Olá Yeda,
ResponderExcluirLi todos os textos, amei, me diverti, além, é claro, de me identoficar com as amigas e com as situações.
O blog já está na minha lista de favoritos, por favor continue a escrever, pois a leitura dos seus textos tem sabor de boa companhia.
beijos
Cláudia
Oi Yeda!
ResponderExcluirGostei muito de tudo que escreveu!
Uma delícia!
Parece que estou participando do grupo...
Continue escrevendo sempre, vc tem o dom.
beijo
Betânia
Diante de um comentario, fico feliz como se um presente tivesse recebido. Obrigada Betania.
ResponderExcluirBjs.