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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O cravo brigou com a rosa.



O cravo brigou com a rosa.
A discórdia, comenta-se, foi um pouco violenta, resultando num grande vexame que o vento espalhou por todos os canteiros. Duvido que alguém, que se sensibilize com a dor e o sofrimento alheio, desconheça esse fato. Entre despedaçados e feridos salvaram-se os dois, mas, mesmo depois de anos do ocorrido debaixo da sacada, ainda hoje se especula sobre o mistério da divergência entre os dois amantes. 

Em uma de nossas reuniões, debruçamo-nos sobre o tema do amor. Certas de que o encontro de um homem com uma mulher  nao é da mesma natureza do encontro de uma tampa com uma panela, a metáfora do cravo e da rosa nos pareceu mais apropriada.
Assim, formulávamos hipóteses.

Quem teria começado a briga? Amanda acredita que o motivo da intriga foi  o ciúme, já que Rosa havia conhecido o Gerânio recentemente, e se encantado com o aroma dele, tão diferente do fúnebre cheiro constante de seu amante. O cravo, primitivo em suas defesas, atacou com a lei de talião -  dente por dente, olho por olho, elogiando entusiasmadamente o brilho e a maciez das pétalas de uma jovem Rosa branca, lembrando sua amada de que o tempo é padrasto.

Marcele contestou, não via probabilidade nessa hipótese, afirmava que mais certo era que a briga tivesse sua origem nos fantasmas da ex-companheira do Cravo. Ele, muito inseguro, temia assumir o relacionamento com Rosa. Sentia-se culpado por ter abandonado Cravina com vários botões ainda por atingir a maturidade, mantinha-se, por isso, subjugado aos mandos e desmandos da ex. Assim, Marcele acreditava:  _Rosa nenhuma suportaria isso!
Apesar de reconhecer como plausível essa hipótese, Aninha aposta que o Cravo andava mesmo é cansado de atender as exigências da Rosa, que entre outras, só aceitava matar a sede com água mineral.  Ao que Suzane acrescenta: _ o Cravo devia estar também arrependido de trocar a simples Cravina pela espinhenta e histérica Rosa. Nesse instante, Gabriela interveio em defesa da fêmea: - Não vê que a histeria esta do lado do Cravo, diante de qualquer briguinha ele cai doente e sofre desmaios. _ Manhoso e presunçoso esse Cravo, afirmava ela. Para mim, são todos iguais, pólen do mesmo saco, justificando assim sua opção de vida.  
 Izabela preferiu não dar palpites: _em terreno de marido e mulher prefiro não meter a pá.
Nesse fértil jardim, as amigas prosseguiram regando as idéias na busca de um entendimento sobre o amor e seus desencontros.