Chope gelado, porção de carne de sol com mandioca e a vista da Lagoa foi o cardápio e o cenário da conversa que se seguiu. Suzana chegou dizendo que seu casamento andava de mal a pior, o marido a tinha colocado entre a cruz e a espada e esperava dela uma decisão que, por sua vez, coincidiria com a sua própria: voltar para casa ou procurar um advogado. Uma boa prosa catalisada pelo chope gelado, fez com que ela ficasse muito à vontade para consultar as amigas.
Marcele argumentou, um pouco enfastiada com esse papo de casada, que a historia é sempre a mesma, enquanto nos queixávamos do marido e dos filhos, ela se queixava da falta deles. Acrescenta: o tédio é a rotina, ela não dedicaria mais o seu tempo a queixar-se, senão a providenciar situações novas que a tirasse do tédio.
Aninha, para horror de Amanda e radicalizando a proposta de Marcele, lançou logo a sugestão de trocarmos de maridos eventualmente. Do alto de nossa condição de mulheres modernas, nos colocamos a discutir a proposta da amiga, começou com Marcele querendo saber se teria direito a essa troca, já que não tinha marido a oferecer. Antes que obtivesse a resposta, a proposta foi descartada quase que por unanimidade com o argumento de que seria um horror ter o marido testado pela colega. Imaginem, após uma noite com o marido da outra, dizer para a esposa: -Você tem razão de estar tão insatisfeita, seu marido é péssimo na cama. Aninha diz que, diante disso, não suportaria mais viver com o escolhido, pois uma coisa é ela se queixar, já que sua queixa é solidária da dúvida, outra seria a confirmação. Embora suas queixas sejam frequentes, “longe dela se separar”. Já Gabriela pensou que seria muito bom ter a confirmação de mais alguém, pois assim tomaria as providências sem culpa, já que com o testemunho de mais alguém a mulher levaria vantagens na disputa pela guarda dos filhos e no valor da pensão, já que o juiz poderia se compadecer dela, julgando-a merecedora de uma indenização.
Concluindo que essa não era uma boa opção, Aninha, cansada que estava de buscar menino na escola, levar para o psicólogo, buscar do psicólogo, levar para a natação, buscar da natação, levar para aula de jazz, sugeriu uma nova troca, agora dos filhos. Troca, inicialmente inocente, já que tinha como objetivo trocar crianças pequenas, que dependem dos pais para tudo, com os filhos da Izabela, que já tem idade suficiente para não precisar dos cuidados da mãe o dia todo. Quando a proposta começou a parecer razoável, Marcele advertiu a colega de que os filhos da Izabela são lindos, empolgou-se tanto na descrição dos dotes físicos dos jovens que a amiga se viu ameaçada, decidindo, por si só, que era melhor não criar mais problemas. Era capaz de antecipar que enquanto ela entregava os filhos acompanhados de um pacote de fraldas, receberia os da amiga acompanhados de uma caixa de camisinhas.
Os celulares começaram a ficar mais inquietos e ansiosos, de um lado Aninha era questionada se teria ido a costureira buscar as calças do marido, do outro, Izabela era solicitada a dizer se ainda demoraria. Suzane era gentilmente lembrada de que deveria levar os filhos para a casa da avó. Embora o tempo urgia, a decisão de encerrar o encontro daquele dia só veio mesmo, quando ao celular, escutamos Amanda dizer:
_ Oi querido, então você fez as compras do supermercado. Que ótimo.
_ Há, você se lembrou dos meus pães integrais e do Activia, que lindo...
_Se estou me divertindo? Há muito...
_ Já tomaram banho? Estão dormindo? Você é demais, Não se preocupe, estou ótima. beijos...

gostei da ideia do blog, precisamos tomar cuidado com o que falamos a partir de então.
ResponderExcluirAdorei, fico muito orgulhosa da irmã.
ResponderExcluirBeijos,
Esther.
Este texto é uma diversão,descontraido e o comentário do ultimo marido parece mentira.....
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