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sábado, 6 de novembro de 2010

Essas amigas que não dizem aonde vão...

Algumas pessoas queridas inspiraram a criação dos personagens que habitam esse blog, e o que é mais sério, elas sabem disso. No entanto, a passagem da vida real para o universo das letras comporta uma mudança de estatuto, como se passassem do estado sólido para o gasoso, essas pessoas experimentam uma sublimação que lhes confere muito mais movimento e liberdade. Mal alcançam o branco do papel agem como se azul e infinito ele fosse.
Como personagens, elas acabam ganhando vida própria, traindo tanto a intenção do autor quanto daquela que lhe serviu de matriz, de inspiração.  O ser da realidade fica estupefato ao ler as proezas e a ousadia do personagem, pelo qual estranhamente se sente responsável.  Acompanhando o rumo da história sente calafrios e temores pelo que vai vir.
Assim testemunha a amiga, que virou Izabela ao ler suas histórias no blog.
Tanto ela se mostrou incomodada com a visão que os leitores fariam dela ao fazer parte de uma trama em que a ficção dividiu espaço com situações da realidade, como também a Marcele sentiu certo desconforto ao ver seu sorriso aparecer com a cor pink, o que lhe pareceu extremamente de mal gosto e  extravagante. Outro exemplo desse ping pong entre o personagem e o ser que lhe inspira pode ser  evidenciado quando uma amiga chegou a temer que o marido pudesse lhe responsabilizar pelo que Suzane aprontasse nas histórias do blog. Coincidência ou não, outra amiga, identificada com Aninha, tomou logo a iniciativa de participar de uma atividade física quando leu no texto sobre Itabira, o quanto esta andava cansada e desanimada.  
Gabriela ainda não se manifestou, mesmo porque a pessoa que lhe serve de inspiração também já se aventurou pelo universo das palavras e deve bem saber como nem o autor, nem a realidade podem nada diante da velocidade e força das palavras.
O que as personagens Aninha, Marcela, Isabela, Gabriela, Amanda e Suzane possam fazer nesse estado etéreo nem a quem escreve as histórias compete controlar. Ao caírem nas páginas do blog, ganham autonomia, já não pedem permissão. Se deixam levar pela cadeia significante, sem lenço nem documento, sem medo dos riscos e da morte, se aventuram surpreendendo a todos. Eu fico a torcer para que tenham um final feliz...

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