Amanda, Gabriela e Aninha passeavam pelo centro da cidade. Gente e mercadorias no atacado e varejo, conversas a granel e ensacadas. Enquanto isso, um homem gritava em altos decibéis, superiores aos das conversas, gargalhadas e buzinas de carro. Mesmo à distância , seus gritos atingiram os ouvidos da Aninha como uma prece. Filtrando todos os ruídos, a voz lhe chegou doce e solitária.
_ Vai acabar! Vai acabar !
Aninha estendeu o pescoço por cima das inúmeras cabeças tentando visualizar o dono daquele anúncio fatídico. Desembaraçando-se das pessoas, ela foi cavando um túnel no meio da multidão. Sem se dar conta do que estava a fazer, foi guiando as amigas, em fila, como formigas cientes e diligentes de seu trabalho.
Gabriela e Amanda suspeitaram do que animava Aninha quando a escutaram perguntar ao dono daquela voz.
_ O que vai acabar ?
A princípio, pensaram que se tratava apenas de um comentário inocente, mas não, era uma pergunta que buscava ansiosa pela resposta. O que estava para acabar poderia alcançar seu objetivo antes mesmo que se soubesse o que era?
Questão de vida ou morte. Nesse assunto, acabar e morrer são semelhantes, é caso de urgência, pelo menos para Aninha que adquiriu não um, mas logo dois produtos que estavam para acabar.
Que mulher, em sã consciência, resiste a uma pechincha! Se é necessária; bem, aí já é outra estória....
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